Mas o pesadelo dessa madrugada me deixou extremamente perturbada. Acordei morrendo de medo, com o coração acelerado, tremendo e com a lembrença viva do sonho na minha cabeça.
Vou resumir bem: uma criança de uns 2 anos de idade, caída no meio de uma rua movimentada, com uma ferida tipo perfuração no abdomen, sangrando muito, rolando no chão, gritando e chorando de dor. Todos os carros parados olhando, ninguém fazia nada, ninguém da família aparecia (a criança estava sozinha). Eu pegava o celular para ligar para emergência e não conseguia. A criança se arrastava pelo asfalto, agonizando e gritando... e eu impotente.
Acordei com os gritos ecoando nos meus ouvidos... a imagem da criança rolando, sangrando e agonizando no chão não saía... parecia que eu realmente estava vendo aquela cena na minha frente.
Nossa... como eu acordei desesperada... quase chorando.
Fico pensando: será que tem algo errado comigo? Eu quase nunca tenho sonho bom.
Segue abaixo a interpretação dos sonhos, segundo a psicanálise:
Freud salientou basicamente que os sonhos seriam essencialmente a tentativa de realização de um desejo reprimido que se alojava no inconsciente, sendo que esse desejo seria primordialmente de natureza sexual ou encerraria aspectos proibidos pelo contexto moral, como exemplo, o incesto. O sonho era produzido por dois elementos centrais: a "condensação e deslocamento", que respectivamente significam: recolher partes de diferentes períodos do desenvolvimento de uma pessoa, e reproduzi-las através de simbolismos que ocultassem seu verdadeiro significado, evitando que a pessoa entrasse em contato direto com o material proibido ou do qual sentia-se culpada.
Em nosso presente momento, qualquer psicólogo tem a clara noção de que os sonhos de nossos pacientes atuais refletem principalmente três esferas: solidão, angústia e principalmente medo.
Alfred Adler salientou o complexo de inferioridade e superioridade, como elementos centrais da personalidade humana. O complexo de inferioridade se manifesta essencialmente através de sonhos de queda, nudez, roubo, perseguição, estupro, perda de membros do corpo, regressão a etapas anteriores, como, por exemplo, sonhar que se está de volta ao ginásio, ou outra etapa qualquer já vivenciada pela pessoa.
Se os sonhos eram a realização de desejos, como ficaria a questão dos pesadelos? Freud respondeu essa questão quando o mesmo elaborou a teoria do masoquismo, teoria esta que diz que o prazer se manifesta na dor, numa tentativa de aliviar a tensão e culpa. Freud com bastante perspicácia percebeu mais tarde que o pesadelo era uma tentativa do ego de controlar um material reprimido que causava extremo sofrimento à pessoa.
Nesse ponto podemos falar da questão temporal dos pesadelos, pois para a pessoa que sofre com os mesmos, fica a sensação de perseguição de algo passado que sempre retorna, uma verdadeira tortura mental que nunca se esgota. Porém se observarmos atentamente a direção de determinados pesadelos descobriremos que seu sentido não está apenas ligado ao passado, mas também ao futuro, ou seja, a meta de vida que a pessoa pretende realizar, pois o pesadelo coloca em cheque através de dolorosa angústia, determinadas atitudes que a pessoa precisa tomar para resgatar seu prazer pessoal e social; como se fosse uma espécie de alerta para determinado problema que necessita de solução urgente.
Fonte: Site de Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo


